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Saraiva S.A. Livreiros Editores / 4º Tri de 2004 / Relatório da Administração |
Senhores Acionistas,
A Administração da Saraiva S.A. Livreiros Editores submete à apreciação de V. Sas. o Relatório da Administração e as correspondentes Demonstrações Financeiras, com os pareceres dos Auditores Independentes, referentes ao exercício social encerrado em 31 de dezembro de 2004.
O grupo Saraiva atua no segmento editorial através da Editora (Saraiva S.A. Livreiros Editores) e no segmento livreiro através da Livraria (Livraria e Papelaria Saraiva S.A.).
As informações operacionais e financeiras da Companhia, exceto onde estiver indicado de outra forma, são consolidadas e apresentadas em reais, conforme a Legislação Societária. Todas as comparações foram feitas em relação ao exercício de 2003, exceto quando especificado em contrário.
MENSAGEM DA ADMINISTRAÇÃO
O ano de 2004 foi muito especial para a Saraiva. Completamos 90 anos com uma marca que é sinônimo de qualidade editorial e de excelência em operações varejistas. A Saraiva ocupa posição de destaque no processo de crescimento dos níveis educacionais e culturais de nosso País e adota uma posição inovadora e pioneira, o que proporciona importante diferenciação mercadológica.
A Saraiva foi a primeira empresa brasileira a conceder
“tag-along” a acionistas minoritários preferencialistas. A Editora Saraiva é uma das maiores no segmento de livros didáticos e paradidáticos e líder na publicação de livros jurídicos. Primeira no Brasil a comercializar conteúdo editorial jurídico por meio eletrônico, a Editora possui a maior biblioteca digital jurídica do Brasil, com o portal www.saraivajur.com.br. Pioneira ao inaugurar uma loja no conceito Mega Store, a Livraria Saraiva é a rede com maior faturamento do País e líder no comércio eletrônico de livros.
Em 2004, a receita bruta consolidada alcançou R$ 489,1 milhões, com crescimento de 10,2%. A geração bruta de caixa operacional (EBITDA) de R$ 50,4 milhões apresentou o expressivo incremento de 18,0%, com margem de 11,5%. O lucro líquido registrou recorde ao atingir R$ 18,2 milhões, 22% superior aos resultados de 2003.
Demos continuidade ao processo de implementação do sistema de gestão baseado em valor, utilizando a metodologia GVA â (Gerenciamento de Valor ao Acionista). Houve intensa participação de todos os gestores e colaboradores-chave, com o objetivo de alinhar cada vez mais os interesses entre os acionistas e administradores.
Na gestão operacional, o foco concentrou-se no aumento da eficiência e da competitividade de nossas empresas. Diversas ações foram desenvolvidas com o objetivo de racionalizar a estrutura de custos e despesas e otimizar o capital de giro. Ao longo do ano de 2004, foram obtidos grandes avanços com o plano de ação focado na gestão de caixa da Companhia, por meio de medidas de reestruturação de pessoal, racionalização de processos e renegociações de contratos, o que resultou em ganhos no valor de R$ 8,8 milhões, em bases anualizadas.
A Empresa também teve sucesso na gestão de sua estrutura de capital. Houve significativa redução do endividamento líquido consolidado, que passou de R$ 31,4 milhões, no final de 2003, para R$ 11,7 milhões, no final de 2004, aumentando o potencial de realização de investimentos com capital de terceiros.
Do ponto de vista da influência das ações governamentais em nossos setores de atuação, as dificuldades enfrentadas no início do ano, com a elevação da alíquota da Cofins de 3,0% para 7,6% sobre as vendas (vigente entre fevereiro/04 e novembro/04), foram substituídas ao longo do ano pela divulgação de uma série de importantes medidas de apoio à leitura e incentivo à educação, que favoreceram sensivelmente os segmentos editorial e livreiro:
- Publicação da Lei n.º 11.033, de 21/12/04, que reduziu a zero as alíquotas de PIS e Cofins incidentes sobre a venda de livros (antes da Lei as alíquotas somavam 9,25%), desonerando a estrutura de produção e comercialização do livro, beneficiando os resultados e a capacidade de investimento da Editora e da Livraria;
- Ampliação das compras governamentais de livros didáticos, através da criação do PNLEM (Programa Nacional do Livro para o Ensino Médio). A Editora Saraiva obteve expressiva participação (2º lugar, com 23,7% de market share) nas vendas no âmbito do projeto-piloto (PNLEM/05) realizado em 2004. Trata-se de um mercado novo, pois os estudantes do ensino médio da rede pública praticamente não compram livros no mercado privado.
Além da excelente participação nas vendas de livros didáticos para atender os alunos da rede pública do ensino médio (PNLEM/05), a
Editora teve boa participação – 3º lugar, com mais de 16 milhões de livros – nas vendas governamentais para alunos da rede pública do ensino fundamental (PNLD/05 - Programa Nacional do Livro Didático). Também concluímos com sucesso o processo de incorporação da Formato Editorial, que proporcionou expressivos ganhos de sinergias.
A
Livraria implementou um conjunto de ações, com o objetivo de aumentar a eficiência operacional e otimizar o capital de giro empregado na atividade. Iniciamos a implantação de um inovador sistema de localização de produtos em nossas lojas – “Busca Fácil” – para proporcionar maior comodidade aos clientes e racionalizar o quadro de atendentes. Na administração do capital de giro, desenvolvemos um amplo projeto para elevar a eficiência na gestão de estoques, clientes e fornecedores, com resultados que superaram as previsões. O ciclo operacional (giro de estoques + prazo médio de recebimento de clientes – prazo médio de pagamento de fornecedores) foi reduzido em 22 dias e o nível total de estoques caiu 30%, passando de R$ 47,2 milhões, no final de 2003, para R$ 33,0 milhões, no encerramento de 2004. A divisão de varejo eletrônico (www.saraiva.com.br) mostrou forte expansão. A receita bruta cresceu 35% e a geração bruta de caixa atingiu R$ 2,7 milhões (R$ 0,1 milhão em 2003).
PERSPECTIVAS
Para atender à demanda de um ambiente cada vez mais complexo e dinâmico, a postura estratégica da Saraiva tem se alicerçado em desenvolver vantagens competitivas sustentáveis que capacitem continuamente ser mais eficientes e inovadores.
Considerando o ambiente especialmente favorável dos vários projetos em andamento de investimento público nas áreas de educação e cultura e o atual estágio de consolidação das operações e de maturação dos investimentos realizados nos últimos anos, o cenário atual apresenta sólidas perspectivas de crescente geração de valor na Saraiva:
- a desoneração da cadeia produtiva do livro, com a redução a zero das alíquotas de PIS e Cofins, vigentes desde dezembro/04, beneficia cerca de 99% do mix de vendas da Editora e aproximadamente 57% do mix de vendas da Livraria, com impacto importante nos resultados e na capacidade de investimentos;
- o Governo já anunciou a intenção de comprar livros de forma progressiva para todas as séries e disciplinas do ensino médio da rede pública (PNLEM), podendo agregar uma demanda adicional significativa às vendas da Editora. O potencial de crescimento é expressivo. Atualmente são 8 milhões de alunos no ensino médio e mais 36 milhões de estudantes no ensino fundamental e educação infantil;
- em 2005 será celebrado o Ano Ibero-Americano da Leitura (VIVALEITURA), instituído pela Organização dos Estados Ibero-Americanos, Unesco e Cerlalc (Centro Regional de Fomento ao Livro na América Latina e Caribe). Diversos projetos e programas desenvolvidos em conjunto por governos, empresas privadas e organizações não-governamentais serão implementados;
- será instituído no Brasil, em 2005, o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL). Entre as diversas medidas que devem ser anunciadas de incentivo ao setor editorial e livreiro, está a viabilização de linhas especiais de crédito para financiar a produção de livros e a abertura de novas livrarias. A meta é aumentar o índice nacional de leitura em 50% em três anos;
- as medidas adotadas em 2004, de reestruturação de pessoal, racionalização de processos e renegociações de contratos, resultaram em economias anuais consolidadas previstas no valor de R$ 8,8 milhões a partir de 2005, em bases anualizadas. Buscaremos ainda novos ganhos de racionalização;
- na Livraria, além da importante e severa racionalização de gastos promovida pela administração, está sendo desenvolvida intensa atividade de renegociação dos contratos de locação celebrados pela empresa, cujos resultados são promissores para o futuro;
- os incentivos que o atual Governo vem dando à educação e cultura serão traduzidos no aumento do consumo per capita de livros que, até a presente data, apresenta-se extremamente baixo;
- a Companhia continuará no plano estratégico de otimizar a administração de capital de giro na Livraria e espera atingir novas conquistas de redução do ciclo operacional, deixando-a mais competitiva e liberando caixa para a realização de investimentos;
- a divisão de varejo eletrônico está fortemente estruturada para continuar a crescer sem necessidade de grandes aumentos na estrutura de gastos fixos. Projeções da empresa de pesquisa e marketing on-line e-bit indicam incremento de 30% para o comércio eletrônico em 2005;
- a Companhia estará atenta a novas oportunidades de aquisições ou associações pela Editora e estudos de prospecção de localizações estratégicas para expansão da rede de lojas da Livraria;
- os principais indicadores econômicos apontam para a continuidade do cenário de crescimento iniciado em 2004 e favorecem as perspectivas do mercado editorial e, em especial, de nossas operações varejistas, que sofreram nos últimos anos com o ambiente recessivo e de contração do poder aquisitivo.
Destaques do mercado nacional editorial e livreiro e posicionamento dos principais participantes, a seguir:
Mercado Editorial - 2003
Faturamento Bruto – R$ 1,65 bilhão
Composição

(*) Inclui Jurídicos
Fontes: CBL (Câmara Brasileira do Livro), Saraiva, Serasa e Gazeta Mercantil.
Mercado de Livros Didáticos - 2003
Faturamento Bruto - R$ milhões
Principais Editoras
Mercado de Livros Jurídicos - 2003
Faturamento Bruto - R$ milhões
Principais Editoras
Fontes: CBL (Câmara Brasileira do Livro), Saraiva, Serasa e Gazeta Mercantil.
(1) Estimativa Saraiva
Mercado Livreiro - 2003
Faturamento Bruto – R$ 2,36 bilhões
Canais de Venda
Principais Livrarias
Faturamento Bruto - 2003 (R$ milhões)

EDITORA SARAIVA (SARAIVA S.A. LIVREIROS EDITORES)
A Editora Saraiva é a controladora da Livraria Saraiva, com 99,91% das ações – são duas atividades e razões sociais distintas. Visando proporcionar melhor avaliação dos resultados do negócio editorial, os dados econômico-financeiros da Editora Saraiva incluem a participação da Formato Editorial (empresa adquirida em agosto/03 e incorporada em fevereiro/04).
O quadro a seguir resume os principais dados do desempenho econômico-financeiro:

Receita Bruta

A receita bruta totalizou R$ 235,5 milhões, representando incremento de 9,0%. A receita líquida registrou menor elevação, 8,1%, em função do aumento da alíquota da Cofins entre fevereiro a novembro de 2004. Vale lembrar que a redução a zero das alíquotas de PIS e Cofins entrou em vigor somente em dezembro de 2004.
Para uma melhor análise do desempenho de vendas, é importante fazer distinção entre as vendas ao Governo e as vendas ao mercado privado:
- Vendas ao Governo: Apresentaram crescimento de 39% em relação ao ano anterior. Os principais fatores que explicam essa performance foram a boa participação nas vendas no âmbito do PNLD/05 e a criação do programa de atendimento aos alunos da rede pública do ensino médio (PNLEM/05), além do fato de que uma parcela significativa das vendas para o PNLD/04 foi apropriada no exercício fiscal de 2004, conforme demonstrado a seguir:

- Vendas ao mercado privado: Conforme esperado, houve queda de 3% em relação ao ano anterior, acumulando R$ 148,8 milhões, resultado da menor participação da área de livros jurídicos nas vendas. No ano de 2003, as vendas foram acima da média, em função do novo Código Civil Brasileiro, que entrou em vigor em janeiro/03. É importante ressaltar que, para 2005, estão previstas algumas importantes alterações de legislação, que podem dar um novo impulso ao mercado de livros jurídicos.
Lucro Bruto
O lucro bruto passou de R$ 135,4 milhões em 2003 para R$ 147,2 milhões em 2004. A margem bruta registrou melhora de 65,7% em 2003 para 66,1% em 2004. O efeito da maior participação das vendas ao Governo em 2004, cujas margens são inferiores às praticadas nas vendas ao mercado privado, foi compensado pela desoneração do PIS e Cofins sobre as vendas de dezembro/04.
Resultado Operacional
O esforço empreendido na gestão de caixa da Companhia, por meio das medidas de reestruturação de pessoal e redução de despesas, demonstrou bons resultados em 2004. A relação despesas operacionais sobre a receita líquida foi de 49,1% em 2004, ante 52,4% em 2003. Esse desempenho fica ainda mais positivo quando se considera que as despesas, em 2004, foram pressionadas pelos dissídios coletivos de 17,5% (concedido entre setembro/03 e junho/04) e 6,6% (concedido em setembro/04).
É importante ressaltar que os resultados de 2004 incorporam R$ 1,8 milhão, referente às despesas extraordinárias com rescisões e indenizações advindas do plano de reestruturação de pessoal. A economia anualizada prevista, a partir de 2005, é de R$ 4,3 milhões. Mesmo com as conquistas obtidas, a Companhia continuará buscando ganhos contínuos de eficiência operacional. Nesse sentido, foi designado um grupo gestor para interagir com os principais responsáveis pelos gastos, de forma a gerar um processo ininterrupto de otimização dos recursos disponíveis.
Geração de Caixa
A geração bruta de caixa medida pelo EBITDA evoluiu 29,8%, de R$ 34,9 milhões em 2003 para R$ 45,2 milhões em 2004, reflexo da melhor gestão das despesas operacionais. A margem EBITDA alcançou 20,3% em 2004, contra 16,9% de 2003.
Resultado Financeiro
O resultado financeiro praticamente se manteve. Em 2004, o total das despesas financeiras líquidas foi de R$ 16,8 milhões e em 2003, R$ 16,1 milhões. O ano de 2004 foi beneficiado por um nível de endividamento significativamente menor, no entanto, a forte apreciação cambial em 2003 resultou em expressiva reversão de despesa de variação cambial sobre o passivo denominado em dólar e afetou a base comparativa.
Lucro Líquido
O lucro líquido antes da equivalência patrimonial da controlada
Livraria Saraiva cresceu 27,8% e somou R$ 21,1 milhões em 2004. A rentabilidade patrimonial da Editora em 2004 alcançou 47%. Conforme demonstrado abaixo, a rentabilidade patrimonial média nos últimos 5 anos atingiu a excepcional marca de 45%.
Rentabilidade Patrimonial - Lucro líquido antes da equivalência do ano /
Patrimônio Líquido do início do ano, excluindo investimento na Livraria Saraiva.
Saraiva Data
Durante o ano de 2004, foram lançados 22 novos produtos na divisão de conteúdo editorial em meio eletrônico (
www.saraivajur.com.br), com destaque para a nova edição do software jurídico “Concursos Jurídicos”, sucesso absoluto de vendas no setor.
LIVRARIA SARAIVA (LIVRARIA E PAPELARIA SARAIVA S.A.)
O quadro abaixo apresenta os principais dados do desempenho econômico-financeiro:

Receita Bruta

A receita bruta da Livraria alcançou R$ 261,9 milhões em 2004, representando crescimento de 10,2%. Esse desempenho superou o índice de crescimento da receita nominal de 8,2%, no segmento “livros, jornais, revistas e papelaria”, conforme Pesquisa Mensal de Comércio divulgada pelo IBGE.
O grande destaque do ano foi o excelente desempenho da divisão de comércio eletrônico, que obteve expansão de 35,0% da receita, em comparação a 2003.
A receita líquida totalizou R$ 223,2 milhões, indicando elevação de 5,5% em relação a 2003. O percentual de crescimento foi inferior ao registrado na receita bruta devido à elevação da alíquota da Cofins, entre fevereiro/04 e novembro/04. Contudo, em dezembro/04, ocorreu a redução para zero das alíquotas de PIS e Cofins sobre a venda de livros.
Na avaliação de desempenho das lojas comparáveis, notamos a evolução ao longo do ano, refletindo o cenário de gradual reativação econômica, com melhora dos indicadores de emprego e renda disponível para consumo, conforme pode ser observado no gráfico abaixo:
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Lucro Bruto
O lucro bruto atingiu R$ 82,4 milhões em 2004, contra R$ 80,9 milhões em 2003. Entretanto, a margem bruta apresentou redução, de 38,3% para 36,9% em 2004. Esse desempenho foi decorrente das alterações no mix de produtos vendidos.
Resultado Operacional
Ao longo do exercício de 2004, o abrangente plano de ação com o objetivo de reduzir a estrutura de gastos da empresa, com foco na racionalização do quadro de pessoal, gerou despesas extraordinárias relativas à rescisões e indenizações de R$ 1,4 milhão, as quais não serão recorrentes.
Os resultados das medidas adotadas gerarão redução de despesas em torno de R$ 4,5 milhões em bases anualizadas que serão mais visíveis em 2005. Contudo, foi possível obter ganhos efetivos durante o ano de 2004, conforme demonstrado no quadro a seguir, eliminando-se o efeito do aumento da Cofins (entre fev/04 e nov/04) e das despesas não recorrentes:

Geração de Caixa
A divisão de varejo eletrônico apresentou forte evolução e contribuiu com R$ 2,7 milhões para a geração bruta de caixa operacional da Livraria. No entanto, o EBITDA da Livraria reduziu de R$ 7,8 milhões em 2003 para R$ 5,1 milhões em 2004, devido as despesas extraordinárias e ao cenário econômico retraído no início do ano.
Capital de Giro
O gerenciamento eficaz do capital de giro sempre foi uma prioridade da nossa administração e em 2004 foi desenvolvido um amplo projeto com o objetivo de fazer da gestão de capital de giro uma importante vantagem competitiva - melhorando as parcerias com os fornecedores e implementando ações de modernização na área logística.
Os resultados superaram as metas iniciais, com redução significativa do giro de estoques e a ampliação do prazo médio de pagamento aos fornecedores, refletindo na diminuição do ciclo operacional em 22 dias. O capital empregado nos estoques também foi reduzido em 30%. A Companhia continua a vislumbrar ganhos de eficiência nessa área.
Resultado Líquido
O melhor desempenho do varejo eletrônico não foi suficiente para compensar a queda no resultado das lojas físicas. A margem líquida negativa passou de 0,7% em 2003 para 1,3% em 2004.
Premiação
A Livraria Saraiva recebeu o prêmio ALSHOP VISA – 2004, através do voto popular, na categoria “Grandes Formatos”. Considerado o Oscar do varejo brasileiro, esse prêmio é um reconhecimento à excelência no atendimento em nossas lojas.
Saraiva.com
Iniciou a implementação do projeto estratégico de ampliação do mix de produtos ofertados, aumentando a área de informática e agregando as áreas de papelaria, bicicletas e fitness, eletrônicos e brinquedos. Foram negociadas condições especiais de fornecimento de forma a ter baixo impacto no capital de giro empregado. O objetivo é aumentar o ticket médio, aproveitando as sinergias com a estrutura fixa existente.
Os resultados obtidos em 2004 continuaram mostrando a forte evolução, com ganhos de escala na operação e com crescimento na geração de caixa operacional do varejo eletrônico. Enquanto as vendas, nos últimos 5 anos, cresceram a uma taxa anual composta de 55,0%, as despesas operacionais (SG&A) tiveram incremento anual de 13,6%. Os indicadores a seguir demonstram os avanços obtidos:


CONSOLIDADO
O quadro abaixo apresenta os principais dados do desempenho econômico-financeiro consolidado:

Receita Bruta Consolidada

Receita Bruta

A receita bruta consolidada alcançou R$ 489,1 milhões, registrando crescimento de 10,2% em relação a 2003, refletindo principalmente o aumento nas vendas ao Governo pela Editora e a maior receita da divisão de varejo eletrônico.
Lucro Bruto
O lucro bruto consolidado atingiu R$ 229,6 milhões, 6,2% superior ao de 2003. A margem bruta apresentou pequena redução, passando de 53,1% em 2003 para 52,5% em 2004, devido à menor margem bruta verificada na Livraria.
Resultado Operacional
O ano de 2004 iniciou com forte pressão sobre as despesas com pessoal, em razão dos elevados dissídios coletivos concedidos no final de 2003 (17,5% na Editora entre set/03 e jun/04 e 12,5% na Livraria em dez/03).
Dessa forma, foi fundamental o trabalho desenvolvido durante o ano no sentido de adotarmos medidas de racionalização e rigoroso controle de despesas. Como resultado, as despesas operacionais cresceram apenas 2,7%, enquanto a receita bruta superou em 10,2% a de 2003. Importante destacar que o resultado de 2004 está impactado pela contabilização de R$ 3,2 milhões de despesas não recorrentes com rescisões e indenizações. Para 2005, além de não haver previsão de gastos extraordinários, as expectativas são positivas em razão dos ganhos esperados no valor de R$ 8,8 milhões, em bases anualizadas.
Refletindo a maior eficiência na gestão das despesas, o resultado operacional antes das despesas financeiras (EBIT) cresceu 25,4% e alcançou R$ 36,3 milhões.
Geração de Caixa
A geração bruta de caixa ou EBITDA apresentou elevação de 18,0%, totalizando R$ 50,4 milhões. A margem EBITDA também melhorou, passando de 10,5% em 2003 para 11,5% em 2004.

Resultado Financeiro
O resultado financeiro em 2004 foi uma despesa financeira líquida de R$ 20,0 milhões, ante R$ 19,7 milhões em 2003. O menor nível de endividamento compensou a expressiva reversão de despesa de variação cambial ocorrida no ano anterior em virtude da forte apreciação da moeda brasileira em 2003.
Lucro Líquido
O lucro líquido consolidado atingiu R$ 18,2 milhões - registrando novo recorde - e 22,0% superior ao resultado de 2003.
Contribuíram para esse crescimento os ganhos verificados no resultado da Editora e a expressiva melhora nas operações de varejo eletrônico. O retorno consolidado sobre o patrimônio líquido inicial alcançou 19%.
ESTRUTURA DE CAPITAL
Houve significativa redução do endividamento líquido em 2004, de R$ 31,4 milhões em dezembro de 2003 para R$ 11,7 milhões no final de 2004. A relação endividamento líquido/EBITDA melhorou de forma expressiva, de 0,7 no ano anterior para 0,2 em 2004.
O passivo financeiro exposto à variação cambial encerrou o ano de 2004 em US$ 2,3 milhões, representado por duas parcelas semestrais a vencer em dezembro/05 e junho/06. Conforme estratégia de minimizar o impacto da variação cambial no caixa, a parcela com vencimento em junho/05 está protegida por meio de operação de hedge.
Ainda em 2004, ocorreu a liberação junto ao BNDES de R$ 0,4 milhão, referente ao saldo dos investimentos realizados nas duas unidades inauguradas no final de 2003: Mega Store Shopping Flamboyant, em Goiânia, e Livraria Saraiva Itaim, em São Paulo.
INVESTIMENTOS
Durante o ano de 2004 foram investidos R$ 5,4 milhões, buscando a realização de projetos com expectativa de retorno superior ao nosso custo de capital.
Na Editora, os investimentos de capital totalizaram R$ 3,9 milhões e foram direcionados principalmente para:
- diversos projetos de tecnologia da informação com o objetivo de racionalizar processos administrativos e comerciais, proporcionando maior produtividade e agilidade nas operações;
- incorporação da Formato Editorial (empresa adquirida em agosto/03), com adaptação logística para agregar o catálogo que reforçou a posição competitiva na área de livros didáticos e paradidáticos, gerando valor através da obtenção de sinergias.
Na Livraria, foram investidos R$ 1,5 milhão. Os destaques foram:
- implementação nas lojas físicas do inovador sistema de localização de livros “Busca Fácil”, permitindo que todos os produtos sejam localizados com extrema facilidade, agregando valor à experiência de compra dos clientes Saraiva e viabilizando a redução no quadro de atendentes das lojas;
- preparação para mudança de localização da nossa unidade na cidade de Ribeirão Preto, visando estar mais próximos do público-alvo e em condições mais atraentes de custos de locação, saindo do Novo Shopping para o Santa Úrsula Shopping;
- reformulação do site de vendas do varejo eletrônico, com significativa modernização dos recursos visuais e funcionais;
- encerramento de atividades das lojas no formato tradicional localizadas em Recife e na rua Sete de Abril, em São Paulo, em função das expectativas futuras de essas unidades não gerarem valor.
GOVERNANÇA CORPORATIVA E MERCADO DE CAPITAIS
A administração está empenhada em fazer da Saraiva uma empresa que adote sempre as melhores práticas de governança corporativa, buscando o contínuo alinhamento de interesses corporativos com os dos acionistas e perseguindo o aprimoramento da comunicação com todas as partes relacionadas.
Ao longo de 2004, desenvolvemos várias ações visando concretizar essas propostas:
- o site de relação com investidores foi reformulado e modernizado tecnologicamente, aumentando a eficiência desse importante canal de comunicação;
- foram retomadas as reuniões anuais na APIMEC (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais);
- realizamos teleconferências trimestrais com investidores e analistas;
- contratamos a assessoria da Financial Investor Relations Brasil (sucessora da Thomson Financial Investor Relations Brasil).
Demonstramos a seguir o resumo da movimentação das ações da Saraiva nos três últimos exercícios:

Como resultado das ações desenvolvidas e da melhora no cenário econômico, com aumento da atratividade para small caps, os indicadores de liquidez apresentaram crescimento de 39,6% na quantidade negociada e de 75,8% no volume financeiro negociado. A valorização dos papéis preferenciais da Saraiva alcançou 20,6%, superior ao desempenho do Ibovespa, de 17,8%.
ESTRUTURA ACIONÁRIA
O capital social subscrito e realizado da Saraiva era de R$ 41.977.000,00, em 31 de dezembro de 2004. Dividido em 23.269.203 ações, todas nominativas, escriturais e sem valor nominal, sendo 9.622.313 ações ordinárias (ON) e 13.646.890 ações preferenciais (PN).
Distribuição das Ações Preferenciais - Base 31/12/04

Distribuição das Ações Ordinárias - Base 31/12/04

REMUNERAÇÃO AOS ACIONISTAS
O Conselho de Administração, em reunião realizada em 26 de janeiro de 2005, aprovou o pagamento de R$ 9,4 milhões (R$ 0,40769206/ação) para remuneração aos acionistas, sob a forma de juros sobre o capital próprio, já imputado nesse valor o dividendo mínimo obrigatório. Esse montante equivale a 51% do resultado do exercício e representa um dividend yield de 3,4%.
RECURSOS HUMANOS
A Saraiva encerrou o ano de 2004, com 2.411 funcionários, apresentando redução de 149 colaboradores devido às medidas de racionalização implementadas.
O índice de produtividade, medido pela relação faturamento/número médio de funcionários, apresentou crescimento de 9,5%, passando de R$ 179,8 mil em 2003 para R$ 196,8 mil em 2004.
A filosofia estratégica de recursos humanos da Saraiva visa desenvolver e estimular a capacidade de aprendizado. Dentro desse contexto, foram realizados significativos investimentos em ações de treinamento e capacitação durante o exercício de 2004. Foram desenvolvidas 591 atividades, que contaram 16.529 participações e 60 mil horas de treinamento.
RESPONSABILIDADE SOCIAL
Em linha com a filosofia de contribuir com a qualidade de vida e o desenvolvimento social dos colaboradores Saraiva e das comunidades nas quais estão inseridos, o Grupo Saraiva tem por objetivo colaborar de maneira ativa para a construção de uma sociedade melhor. Os destaques na área social em 2004 foram:
- incremento das atividades sociais do Instituto Jorge Saraiva, com a inauguração de uma creche com capacidade para atender 60 crianças;
- ampliação do projeto Telecurso 2000, em parceria com o SENAI e a Fundação Roberto Marinho, oferecendo a oportunidade de conclusão do ensino médio e fundamental também aos colaboradores da unidade gráfica;
- continuidade na realização de campanhas de cunho solidário e do Projeto Semana de Qualidade de Vida, auxiliando no desenvolvimento social de nossos colaboradores;
- manutenção da parceria com o programa “Empresa que Educa”, gerido pelo SENAC, em apoio ao preparo de jovens para o mercado de trabalho;
- prosseguimento do programa de gestão ambiental em nossa unidade gráfica.
Em atendimento à Instrução CVM 381/2003, informamos que o contrato em vigor com os auditores independentes somente se relaciona aos trabalhos de auditoria externa.
AGRADECIMENTOS
Ao encerrar mais um exercício, desejamos manifestar nossos sinceros agradecimentos pela colaboração de nossos funcionários, autores, fornecedores, clientes e acionistas.
São Paulo, 11 de março de 2005.
A ADMINISTRAÇÃO